Minhas referências me fortalecem, pois elas foram importantes para a formação do meu caráter e da minha sensibilidade.
Nasci na cidade portuária de Juazeiro, princípio ou fim do seu trecho navegável do rio São Francisco, Pirapora(MG) - Juazeiro (BA), nomeado pelos nossos ancestrais indígenas de OPARAPITINGA.
Em Juazeiro e seus arredores, entre as décadas de 1960 e 70 conviví com uma cultura variadíssima e de ampla tradição, resultado da hibridação da cultura européia medieval, das culturas indígenas, especialmente a dos Cariri.
Desse modo, via e acompanhava os cordões de penitentes que na semana santa cruzavam as ruas ainda escuras de Juazeiro em direção ao cemitério, ao som da matraca e das rezas lamurientas; Participava nos meses de janeiro dos reis de boi na fazenda ITAMARATI e nos terreiros das fazendas vizinhas; vi os reis de congo cruzarem as ruas da cidade em direção à igreja Matriz de N. Sra. das Grotas; ainda pude presenciar a movimentação frenética de canoas, barcos, paquetes, vapores no porto de Juazeiro na carga e descarga de gêneros e pessoas, movimentação essa frustrada pela construção da barragem de Sobradinho, ainda pude ver e saborear a diversidade de peixes do Velho Chico e a me espantar com o tamanho deles, hoje coisas do passado.
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